“É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário de vez em quando. Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
“E de repente a vida te vira do avesso, e você descobre que o avesso, é o seu lado certo.
“Tem coisas que devemos relevar, muitas vezes fazemos um drama por algo que nem vale a pena, pessoas inconvenientes precisamos ignorar, momentos desconfortáveis também, deixar de se importar com besteiras e levar a vida com mais leveza.
“Há quem diga que a distância não afasta as pessoas. Eu discordo. Com o tempo você deixa de pensar no quanto sente saudades. Não é só os corpos que se afastam, com as pessoas também mudam, seus hábitos, suas preferencias. Surgem novos amores e novos amigos. Mas o tempo não passa da mesma forma para todos. Talvez seja isso, o tempo dele passou mais rápido que o seu.
“Grande parte das nossas frustrações acontecem quando a gente espera que o outro tenha as mesmas atitudes que nós teríamos em determinada situação. Mas o outro é somente o outro. Ninguém é igual a ninguém. E nunca será. E pra nos ajudar a sair do fundo do poço, porão ou subsolo… só a gente mesmo. O outro, por mais que te ame e queira teu bem, não pode fazer isso por ti. Nem que ele quisesse.
“As pessoas não mudam. Mas elas podem. Elas só não mudam, pois é mais fácil não mudar. Estamos sempre esperando para o começo das nossas vidas… Esperando sermos outra pessoa algum dia. Pelo que estamos esperando? Só temos o agora, não fuja disso.